terça-feira, 6 de outubro de 2009

Consumo Consciente

O que é

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Pense rápido: o que é consumo? A palavra é bem conhecida de todos e, seguramente, tem algum significado para você. Consumir implica em um processo de seis etapas que, normalmente, realizamos de modo automático e, mais ainda, muitas vezes impulsivo. O mais comum é as pessoas associarem consumo a compras, o que está correto, mas incompleto, pois não engloba todo o sentido do verbo. A compra é apenas uma etapa do consumo. Antes dela, temos que decidir o que consumir, por que consumir, como consumir e de quem consumir. Depois de refletir a respeito desses pontos é que partimos para a compra. E após a compra, existe o uso e o descarte do que foi adquirido.

Considerando todos esses aspectos do consumo, você vai ver que ele está presente praticamente o tempo todo em nossas vidas. Ao acordar, vamos ao banheiro e consumimos água, eletricidade, pasta de dente e sabonete. Depois tomamos café-da-manhã e lá vai café, pão, manteiga, geléia, frutas, água, eletricidade. E mais água para fazer o café e para lavar a louça. Quando saímos para o trabalho, a menos que se vá a pé ou de bicicleta, consumimos combustível, mesmo que seja do ônibus, e no caso do metrô, energia elétrica. Dependendo da ocupação de cada um, haverá diferentes tipos de consumo, mas é quase certo que haverá uso de eletricidade, papel e cafezinho, por exemplo. Portanto, mesmo que você passe o dia todo sem sequer abrir a carteira, terá consumido muita coisa.

Por isso o consumo é algo muito importante e que provoca diversos impactos. Primeiro em nós mesmos, já que temos que arcar com as despesas do consumo e também nos beneficiamos do bem estar derivado dele. Depois, o impacto na economia, porque ao adquirirmos algo, movimentamos a máquina de produção e distribuição, ativando a economia. Também afeta a sociedade, porque é dentro dela que ocorrem a produção, as trocas e as transformações provocadas pelo consumo. E por fim, o impacto sobre a natureza, que nos fornece as matérias-primas para a produção de tudo o que consumimos.

O consumo é um dos nossos grandes instrumentos de bem estar, mas precisamos aprender a produzir e consumir os bens e serviços de uma maneira diferente da atual, visto que o modelo hoje utilizado de produção e consumo contribuiu para aprofundar alguns aspectos da desigualdade social e do desequilíbrio ambiental. Mas as coisas não precisam ser assim e existe um enorme potencial para que o consumo que nos trouxe a essa situação, se exercido de outra forma, nos tire dela. Vamos ver como?


Consumo Consciente

Bem, agora que você já sabe que muitos dos nossos atos são atos de consumo e que eles impactam a sua vida e as condições da vida no planeta, chegou a hora de saber como você pode usar suas escolhas de consumo para ajudar a construir um mundo social e ambientalmente melhor. O caminho passa pela adoção do consumo consciente. E o que é consumo consciente? É consumir levando em consideração os impactos provocados pelo consumo. Explicando melhor: o consumidor pode, por meio de suas escolhas, buscar maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos dos seus atos de consumo, e desta forma contribuir com seu poder de consumo para construir um mundo melhor. Isso é Consumo Consciente. Em poucas palavras, é um consumo com consciência de seu impacto e voltado à sustentabilidade.

O consumidor consciente busca o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade do planeta, lembrando que a sustentabilidade implica em um modelo ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável. O consumidor consciente reflete a respeito de seus atos de consumo e como eles irão repercutir não só sobre si mesmo, mas também sobre as relações sociais, a economia e a natureza. O consumidor consciente também busca disseminar o conceito e a prática do consumo consciente, fazendo com que pequenos gestos de consumo realizados por um número muito grande de pessoas promovam grandes transformações.

O consumo consciente pode ser praticado no dia-a-dia, por meio de gestos simples que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços. Tais gestos incluem o uso e descarte de recursos naturais como a água, a compra, uso e descarte dos diversos produtos ou serviços, e a escolha das empresas das quais comprar, em função de sua responsabilidade sócio-ambiental. Assim, o consumo consciente é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da vida no planeta.

Praticar o consumo consciente consiste numa atitude de liberdade de escolha e de protagonismo da própria existência. É uma tomada de posição clara, democrática e ética. O consumo consciente fatalmente irá gerar uma reflexão e tal reflexão pelos consumidores deverá gerar uma cadeia de estímulos que irá contagiar positivamente as empresas e seus funcionários, sua família, colegas e amigos que, diante do exemplo, serão impelidos a refletir sobre os seus próprios atos de consumo.

Para ficar mais claro, vamos dar um exemplo simples. Você já deve ter ouvido falar que a água é um recurso natural escasso e que cerca de 30% da população mundial não tem acesso à água tratada de boa qualidade. Portanto, mesmo que você consiga arcar com sua conta de água, e portanto possa, em princípio, gastar o montante de água que lhe aprouver, tal fato trará como impacto a não disponibilidade de água, um recurso precioso e muito escasso, para um grande número de pessoas. Além disso, antes da água chegar à sua torneira, ela é tratada. Esse tratamento custa dinheiro. Se você economizar, o volume de água tratada será menor e os custos serão mais baixos. Caso contrário, para aumentar o abastecimento, a prefeitura terá de investir em novas estações de tratamento, que exigirão investimentos e usarão o dinheiro que poderia ser aplicado em outras áreas, tais como saúde, educação ou transporte. Um outro ponto a considerar é que, se a água for usada em quantidade maior do que a realmente necessária, talvez as fontes usadas já não consigam atender a demanda. Se isso acontecer, as autoridades terão de buscar água mais longe, o que provavelmente vai encarecer o custo da água e vai dificultar o acesso a ela pelas populações de mais baixa renda.

A falta de água de boa qualidade provoca diversos males. Entre 1995 e 2000, só no Brasil, ocorrerram 700 mil internações hospitalares por doenças relacionadas à falta de água e saneamento básico. Portanto, quando você fecha a torneira ao escovar os dentes, ao se ensaboar no banho e ao lavar a louça, você está praticando um ato de consumo consciente, um ato que terá um impacto positivo sobre a sociedade porque ajudará a preservar água para os outros; terá um impacto positivo para a economia porque adiará a necessidade de novos investimentos no setor; terá um impacto positivo sobre a natureza porque não estará pressionando as nascentes; e terá um impacto positivo para você, que vai economizar na conta de água.


CONSUMO CONSCIENTE

É consumir diferente: tendo no consumo um instrumento de bem estar e não fim em si mesmo

É consumir solidariamente: buscando os impactos positivos do consumo para o bem estar da sociedade e do meio ambiente

É consumir sustentavelmente: deixando um mundo melhor para as próximas gerações

Fonte: www.akatu.org.br

AIESEC convida - Evento da ACATE


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

LIXO ELETRÔNICO (e-waste)


COMODIDADE QUE CONTAMINA
por César Munhoz
“O que você faz quando seu celular estraga? Em muitos casos, mandar para o conserto pode sair mais caro que comprar um novo. E o que acontece com o aparelho estragado, ou com aquele que "ficou antigo"? A maioria das pessoas simplesmente joga fora. Agora pense num país inteiro agindo dessa forma e imagine o tamanho da montanha de lixo. O rápido avanço tecnológico, apesar de tornar nossas vidas cada vez mais cômodas, está causando um aumento meteórico do volume de lixo eletrônico no planeta. Sabe o que é pior? Aparelhos eletrônicos normalmente contêm metais pesados e outras substâncias tóxicas, que podem contaminar o solo, as águas e o ar.
E enquanto as grandes potências mundiais produzem computadores, eletrodomésticos e celulares de última geração, o lixo resultante de toda essa tecnologia vai poluir o meio ambiente de quem pode menos. Isso porque os países ricos "exportam" seu lixo eletrônico para os países em desenvolvimento, que se utilizam dele para movimentar a economia por meio da extração de elementos como circuitos eletrônicos e alumínio. Mas essa prática, na maioria dos países, ocorre sem regulamentação e fiscalização adequadas, causando sérios danos ao meio ambiente e à saúde da população.
Em 2002, de acordo com a Rede de Ação da Basiléia e o Greenpeace, o problema era mais sério na China e na Índia. Mas estudos feitos em 2006 acusaram que a rota do comércio do e-lixo agora tem como principal destino a África. A Nigéria, por exemplo, recebe 100 mil computadores por mês, mas 75% deles são sucata. Segundo o relatório, a maior parte do lixo eletrônico não é utilizada e fica exposta em campos abertos, poluindo especialmente a água e o solo, contaminados com chumbo e subprodutos de ácidos.”

Algumas iniciativas foram feitas, vale dar uma conferida no site:
http://www.lixoeletronico.org/category/temas/iniciativas


Para debater mais sobre esse assunto tão atual e importante para nossa sociedade, convidamos a todos para participarem do Learning Circle da AIESEC que será realizado nesta sexta feira (02/09) no auditório da FEPESE, na UFSC a partir das 18h. Não deixem de participar!
Nara
time de Projetos

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Terceiro Setor de Primeira

O alto grau de profissionalismo no Terceiro Setor para mim não era mais segredo. Após um choque "organizacionalmente" cultural de experiências neste setor, voltar a Florianópolis e ver que independentemente do tamanho da iniciativa, a busca por melhorias na qualidade de seus serviços, posicionamento no mercado, especializações e também levantamento de fundos são apenas algumas medidas que ONG's vêm praticando para se tornarem mais competitivas neste setor que - pela ampla necessidade e sobrecarga do Estado - cresce a cada dia.
Se por um lado o Estado ajuda como pode, ou seja, cedendo (ou alocando) profissionais, infra-estrutura, automóveis e ajuda financeira limitada, a iniciativa privada através de políticas de responsabilidade social corporativa investe pesado. O motivo talvez seja administrar os impactos que eles mesmos vem causando ao longo dos anos, ou simplesmente abater impostos através de leis oportunistas criadas para beneficiar seus próprios criadores. Sem querer entrar nestes méritos e muito menos julgar tais ações, o que se vê neste cenário atualmente é a forte presença da iniciativa privada muitas vezes ligadas a órgãos sociais internacionais unidos para fortalecer o terceiro setor.
Durante as visitas que venho fazendo tanto de avaliações quanto de reabertura de vagas de intercâmbio aqui na Aiesec Floripa, é a busca por aquelas melhorias citadas acima. A Casa da Criança Morro da Penitenciária, que completou 20 anos em 14/03/08, é uma ONG sem fins lucrativos que atende 140 crianças e adolescentes de seis a dezessete anos é um exemplo disso tudo: infra-estrutura necessária, organização, gestão transparente e por que não dizer, com um passo a frente, leia-se, parceira da Aiesec.
E é com muito prazer que informo que nossa parceria com esta instituição tem muito a permanecer, pois a Casa da Criança é uma das finalistas do Prêmio Itaú-Unicef, uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Esta premiação acontece a cada dois anos, desde 1995, e em 2009 está na oitava edição. Tem como objetivo reconhecer e estimular o trabalho de organizações sem fins lucrativos que contribuem, em articulação com a escola pública e outras políticas, para a educação.
Boa sorte!

Rafael Dal Pont
Time de Projetos

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Como trabalhar com voluntários na captação de recursos

Como trabalhar com voluntários na captação de recursosPor Andrea Goldschmidt*
Quando falamos de captação de recursos para uma organização, podemos estar falando em captação de dinheiro, de materiais, de produtos, equipamentos, espaços físicos para a realização de atividades ou eventos e, sem dúvida, de pessoas. A existência de voluntários, neste sentido, já é uma forma de captação de recursos – recursos humanos. 
 
Os recursos humanos são essenciais na captação de outros recursos para uma organização, já que são necessárias pessoas para fazerem contatos com potenciais doadores, para ajudar na montagem de uma mala direta, na organização de eventos, em atividades de telemarketing, etc. 
 
A captação de recursos é uma atividade que deve permear toda a organização. Todos os funcionários e voluntários (sejam da linha de atendimento, diretores ou conselheiros) podem e devem participar das atividades de captação de recursos e, neste sentido, mesmo os funcionários de outras áreas da organização podem ser voluntários. 
 
Se gerenciar pessoas já não é uma tarefa fácil, gerenciar voluntários apresenta alguns desafios adicionais. Estamos lidando com pessoas com motivações diferentes, disponibilidades diferentes, expectativas diferentes e com apenas uma coisa em comum – não estão ganhando nada (financeiramente) para desenvolver o trabalho proposto. 
 
O que estamos discutindo aqui, portanto, é como aproveitar o melhor de cada uma destas pessoas, gerenciando os conflitos e dificuldades que irão surgir neste processo. 
 
É importante pensarmos em alguns aspectos desta questão:
 
Como cada uma destas pessoas pode ajudar? Que atividades estas pessoas podem desenvolver? Que contatos elas têm que podem ser úteis para a organização?
 
De quantas pessoas dispomos?
 
Que estrutura é necessária para gerenciar as atividades deste grupo?
 
Como vamos fazer para envolvê-las, motivá-las e controlar seu trabalho?
 
Que materiais são necessários para que estas pessoas possam desenvolver suas atividades de maneira mais produtiva.
 
Este planejamento deve ser feito antecipadamente, juntamente com o planejamento da captação como um todo, já que algumas das conclusões que vamos chegar ao analisar os recursos humanos de que dispomos podem afetar as decisões de como o plano como um todo deve ser conduzido. 
 
QUE ATIVIDADES OS VOLUNTÁRIOS PODEM DESENVOLVER 
 
A princípio qualquer atividade pode ser desenvolvida por voluntários. Existem dois caminhos que podemos seguir: 
 
1.     Depois de elaborado o plano de captação (no qual foram pensadas estrategicamente as atividades que devem ser realizadas para captação de recursos) a organização seleciona os voluntários para desenvolverem o trabalho 
 
Esta é a situação ideal, já que a organização primeiro estabelece o que precisa ser feito e depois seleciona as pessoas que podem desempenhar aquela(s) tarefa(s) com eficiência. 
 
Para que esta possibilidade exista, a organização precisa contar com uma grande variedade de voluntários cadastrados. Estes voluntários vão sendo chamados a participar sempre que surgirem atividades que demandem as aptidões específicas que cada um deles têm. 
 
Esta é a forma mais eficiente de trabalhar, já que aproveitamos as aptidões e habilidades de cada pessoa.
 
Na realidade a situação que encontramos no mercado em geral é um pouco diferente desta, já que as organizações não dispõem de tantas alternativas de recursos humanos disponíveis. 
 
2.     Selecionados os voluntários, vamos fazer um levantamento de suas habilidades e aptidões e pensar como podemos explorá-las da melhor maneira possível. 
 
Quando a organização não dispõe de muitas alternativas de recursos humanos disponíveis, este pode ser um caminho interessante. 
 
É melhor aproveitar as habilidades de um voluntário que esteja disponível, do que insistir em captar recursos através de canais sobre os quais não se tem conhecimento e/ou acesso. 
 
É preciso tomar cuidado, no entanto, para não perder boas oportunidades de mercado porque a organização não conseguiu enxergar alternativas para os métodos tradicionais de captação que seus voluntários estabeleceram como ideal. 
 
Para que possamos aproveitar o melhor destas duas alternativas, a sugestão é:
 
Elabore um plano de captação de recursos “ideal”;
 
Identifique as habilidades necessárias para desenvolvimento das atividades do plano;
 
Monte um cadastro de voluntários disponíveis e identifique as habilidades de cada um deles;
 
Faça um cruzamento das duas informações e tente ajustar o plano para que fique o mais próximo possível do ideal e aproveite da melhor maneira possível as habilidades dos voluntários disponíveis.
 
COMO ENVOLVER OS VOLUNTÁRIOS NAS ATIVIDADES DE CAPTAÇÃO 
 
Algumas organizações têm facilidade em atrair voluntários, mas têm uma certa dificuldade em mantê-los. A captação de recursos, como sabemos, é um processo que às vezes demanda tempo e, por isso, precisamos de voluntários “fixos”: pessoas que estejam comprometidas com o trabalho e que tenham o compromisso de levar a cabo as atividades e os contatos que foram iniciados. 
 
Para que um voluntário permaneça trabalhando por um longo período para uma organização, ele deve estar ainda mais motivado a participar do que os funcionários remunerados. 
 
O voluntário tem que enxergar:
 
 Que faz diferença;
 
Que seu trabalho é importante;
 
Que está sendo reconhecido por desenvolver este trabalho e pelo apoio que dá a esta organização.
 
Motivação é a palavra chave! É importante que os voluntários recebam o retorno que esperam com o trabalho que estão realizando. 
 
O complicado aqui é saber o que cada voluntário espera. Como estamos lidando com pessoas, as motivações de cada voluntário podem ser muito diferentes e, para isso, teremos que desenvolver a difícil tarefa de estudar as motivações de cada pessoa. 
 
Pode ser interessante, desenvolver um pequeno questionário (ou uma breve entrevista), através do qual a organização possa conhecer melhor seus voluntários e entender mais profundamente quais são as suas motivações. 
 
Também é importante que a atividade seja acompanhada (supervisionada) com freqüência, para que o voluntário não se sinta demasiadamente “solto”. Isso não significa controlar cada passo que o voluntário dá. Lembre-se que eles estão ali para ajudar, dividindo as tarefas. Se a supervisão for freqüente demais ou profunda demais, a equipe de supervisão vai ficar ainda mais sobrecarregada e os voluntários, ao invés de ajudar, podem até atrapalhar. 
 
COMO FAZER A SUPERVISÃO E AVALIAR OS VOLUNTARIOS 
 
Se levarmos em consideração que o voluntário foi selecionado para desempenhar uma tarefa específica, é fácil imaginar que haverá um detalhamento do que deve ser feito, em que prazo e com que recursos. Se o plano de atividades tiver sido feito desta maneira, ficará fácil implantar um sistema de supervisão deste trabalho. 
 
O desenvolvimento de um plano de ação, portanto, é a chave para a supervisão do trabalho dos voluntários (e também dos funcionários remunerados). 
 
Pode ser interessante estabelecer reuniões regulares de acompanhamento do plano. Sempre que planejamos uma atividade composta por várias etapas de trabalho (como um plano de captação de recursos), é importante que haja momentos pré-definidos de avaliação do andamento das ações propostas. 
 
Além desta ser uma forma justa e clara de cobrar o trabalho de todas as pessoas envolvidas (já que cada um sabe o que deve fazer, quando, qual a importância do seu trabalho dentro do todo e qual o impacto de um atraso de sua parte no trabalho de outras pessoas), a tendência é que as pessoas entendam estas datas como “dead-lines” e que realizem a sua parte até a data do próximo encontro. 
 
A supervisão, portanto, deve ser freqüente e baseada em informações pré-acordadas (das atividades que deveriam ser realizadas). 
 
Isso não significa que não possam acontecer atrasos ou contratempos durante a execução do plano. O supervisor tem que ter a habilidade de reconhecer quais os problemas que levaram ao não cumprimento das atividades acordadas – corpo mole, falta de habilidade do voluntário para aquela tarefa, falta de suporte da organização, problemas externos, etc. – e avaliar como esta dificuldade será contornada para que o sucesso do plano não seja comprometido. 
 
Este já é o começo da avaliação do trabalho dos voluntários. Quando fazemos reuniões de acompanhamento com freqüência, estamos construindo dia após dia, uma avaliação de cada um dos voluntários envolvidos nas atividades de captação de recursos. 
 
Se o desempenho for bom, isto é, se as atividades estiverem sendo desenvolvidas a contento, ótimo. Se não for bom, é preciso fazer uma análise da situação e definir o que fazer. 
 
Podemos pensar em várias alternativas: 
 
 É possível melhorar o desempenho do voluntário naquela atividade?
 
É possível aproveitá-lo em outra função que atenda às suas expectativas e que efetivamente ajude a organização?
 
É melhor desligá-lo?
 
Pode parecer estranho falar em “demissão” de voluntários, mas a organização precisa ter em mente que o voluntário está ali para ajudá-la, mais do que para ser ajudado. 
 
É possível, portanto, “demitir” voluntários que não estejam trazendo os resultados desejados (ou combinados com o restante do grupo), mas é claro que isso deve ser o resultado de sucessivas avaliações negativas. 
 
Quando o grupo como um todo percebe que aquele voluntário não está desenvolvendo suas atividades como proposto, é até bom que ele seja desligado, para não criar desânimo entre os demais voluntários. 
 
COMO DAR RECONHECIMENTO PARA OS VOLUNTARIOS PARTICIPANTES 
 
Se podemos “demitir” voluntários que não atendem às nossas expectativas, certamente também devemos dar reconhecimento para os voluntários que atendem (e até superam) às expectativas. 
 
Imaginando que a organização tenha feito a pesquisa sugerida para conhecer melhor as motivações dos voluntários, ela precisa, em algum momento, dar a eles o retorno que esperam. 
 
É claro que alguns retornos são imediatos ou constantes: “o prazer de ver o desenvolvimento de uma comunidade” poderá ser observado pelo voluntário no dia-a-dia, à medida que as atividades vão sendo desenvolvidas. Mas muitas pessoas tornam-se voluntárias em função do reconhecimento que vão ter e, desta forma, esta é uma atividade que não pode ser negligenciada. 
 
O reconhecimento pode ser simples, feito dentro do próprio grupo, ou pode ser um reconhecimento público, em um evento, por exemplo. 
 
Algumas organizações realizam eventos anuais de reconhecimento de voluntários: uma festa em que serão “premiadas” as pessoa que ajudaram com seu trabalho voluntário ao longo do ano. Estas pessoas podem receber um diploma, um troféu ou simplesmente ter seu nome citado na presença de pessoas que sejam importantes para elas (sejam familiares, empregadores ou amigos). 
 
O que precisamos ter em mente é que da mesma forma que estamos avaliando nossos voluntários, também estamos sendo avaliados por eles. Se nesta avaliação eles tiverem a percepção de que não tiveram o retorno que desejavam (os itens que citaram na nossa pesquisa), eles provavelmente irão procurar outras organizações para oferecer seu trabalho e, desta forma, perderemos o voluntário. 
 
Trabalhar com voluntários, portanto é uma tarefa muito gratificante e economicamente viável, mas que precisa ser planejada de maneira detalhada para que se obtenha os resultados desejados. 
 
Além do planejamento detalhado do trabalho que será realizado, deve-se ter especial atenção com a seleção, a avaliação de desempenho e as ações de motivação dos voluntários para que a ação de captação com a participação de voluntários seja realmente eficiente. 
 
 
 
* Andrea Goldschmidt é administradora de empresas pela EAESP- FGV e atua como captadora de recursos desde 1999. Também é professora de Marketing e Captação de Recursos na ESPM e na FACAMP e colaboradora do Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) da Fundação Getúlio Vargas. Trabalha como consultora na APOENA Empreendimentos Sociais (www.apoenasocial.com.br) auxiliando empresas na implantação de programas de responsabilidade social junto à comunidade.
 
 

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Projeto Oasis





Em julho, vivenciamos uma utopia. História para contar pros netos! Foram 300 jovens em 10 dias intensos em 6 cidades (12 comunidades que sofreram as enchentes) e mais de 18 obras iniciadas e terminadas, dentre elas, construção de uma ponte para pedestres em Ilhota, construção de praças públicas, parquinho para crianças, reforma de escolas, posto de saude e mais. Resultado disso é que prefeitos, governador, jovens, empresários, moradores de diversos bairros, enfim pessoas de todos os setores se juntaram por um sonho comum! Foi maravilhoso ver pessoas se juntando para sonhar e fazer. Descobrimos que somos impossíveis! hehe (tem muita foto e video para mostrar)

- Artigo sobre o Oasis que esta no site do Banco Mundial
http://youthinkblog.worldbank.org/playing-hard-change-world,

- Matéria que saiu no Bom Dia Brasil no mês de julho de 2009!
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1095016-7823-ESTUDANTES+UNIVERSITARIOS+AJUDAM+A+MELHORAR+CIDADE+DE+SANTA+CATARINA,00.html

- Esse aqui, meu preferido, tem imagens do mão na massa nas comunidades: http://festivaloasis.ning.com/video/oasis-sc-mao-na-massa-22-a-31


Em pouco mais de 3 meses, mais de 3000 pessoas se mobilizaram no Brasil todo e entraram na rede do Oasis. Agora, os 300 jovens que foram pra Santa Catarina voltaram inspirados para suas cidades de origem mobilizando ainda mais gente para a ação. Até outubro, Sao Paulo, Ceará, Minas, Paraná, Rio, Mato Grosso do Sul, Bahia vao mobilizar ainda mais pessoas pra fazer acontecer as mudanças que queremos ver. É um movimeno típico de nossos tempos: de maneira espontânea, jovens se juntam com outros jovens para colocar a mão-na-massa e mobilizam todos os setores para vir junto.

Agora temos o desafio de juntar todos estes jovens novamente com pessoas do setor público, setor privado e sociedade civil em geral para desenhar alternativas sustentáveis e criar inovações sociais de forma colaborativa.

Então nos lançamos no desafio de organizar e realizar nestes próximos 2 meses um ENCONTRO, com as melhores práticas nacionais e internacionais, para inspirar a sociedade e o governo de Santa Catarina. Nossa meta é organizar em rede e cada um oferecendo o seu melhor!
É o Festival Oasis!!!

O encontro vai acontecer de 31 de outubro a 2 de novembro em Blumenau ou Florianópolis (em negociação). Além das oficinas e apresentações de praticas sustentáveis vamos ter 3 momentos especiais:

1) Olhar apreciativo: os participantes vao apresentar o que de melhor tem feito por um mundo sustentavel e compartilhar ideias com os outros;

2) O sonho: os participantes vao compartilhar sonhos e lançar ideias passiveis de serem realizadas;

3) O Pacto: haverá a chamada para ação e os participantes vao se comprometer com aquilo que gostariam de mudar ou impulsionar rumo ao sonho compartilhado.

Permeando este processo de diálogo, haverão palestras sobre 1) permacultura, habitações sustentáveis, novas tecnologias sustentáveis; adaptação as mudanças climáticas; 2) liderança coletiva e colaboração (animação e mobilização de redes sociais/capital social; 3) Alternativas econômicas de iniciativas sustentáveis.

 Embarque nessa com a gente!

Grande abraço!

Michael Cabral.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Novos Tempos - Christina Carvalho Pinto

Christina Carvalho Pinto fala um pouco sobre os novos tempos e quais as reais demandas que o acompanham.

Primeira mulher na América Latina a liderar um grupo multinacional de comunicação - o Young & Rubicam, do qual foi sócia -, Christina Carvalho Pinto é o modelo da profissional dinâmica. Começou como redatora e diretora de criação e chegou a chairwoman das sete empresas do Young & Rubicam e vice-chairwoman dos 26 escritórios da holding na América Latina. Em 1996 fundou o Grupo Full Jazz de Comunicação, formado por Full Jazz Propaganda, Full Tecno (internet), Full Direct (marke-ting direto) e Full Jazz Comunidade (desenvolvimento de marcas cidadãs). Ganhou muitos prêmios, como o de Profissional de Propaganda do Ano (1989) e da Década (80) e de Publicitária do Ano (1991) do Prêmio Colunistas. Foi eleita entre as 20 Persona-lidades Winners do Mundo pela revista Exame, em 1990, ano em que foi jurada de Cannes. Esteve entre os destaques empresariais femininos de 2000 apontados pelo Prêmio Femme D`Affaires, da Vêuve-Clicquot, foi a mulher mais influente do Brasil em marke-ting e publicidade, segundo a revista Forbes (2004) e um dos dez maiores empreendedores brasileiros, da revista Empreendedor (2005). Participa de vários conselhos e é embaixadora do Fórum Mundial da Mulher para a Economia e Sociedade.