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terça-feira, 18 de agosto de 2009

O que faz um projeto social/ambiental ser sustentável?


Independente da motivação que leva uma empresa a adotar a responsabilidade social e ambiental, existe um grande caminho a ser percorrido para dizer que ela executa projetos sustentáveis. Mesmo estando alinhados ao planejamento estratégico, ao ISE e aos processos de negócio, os projetos, ainda assim, podem não ser sustentáveis. E aí vem a pergunta-título: o que faz um projeto social/ambiental ser sustentável?

Não saberia dar uma definição exata, mas darei um exemplo que talvez ajude a esclarecer. Suponhamos que uma indústria vai se instalar em uma cidade e começa a fazer as obras para a construção da planta. Isso gera bastante impacto e a empresa realiza diversos projetos tanto para mitigação dos impactos ambientais, quanto sociais, já que a fábrica está sendo construída próxima a uma comunidade.

Pois bem, geralmente a mitigação ambiental não tem muito que se discutir até porque é lei. Além da questão do meio ambiente é preciso lidar com a possibilidade da comunidade do entorno sofrer de um inchaço populacional, com pessoas vindas de diferentes cidades e estados, atraídas pelas oportunidades geradas com a instalação da fábrica na localidade. E se a questão não for cuidada com atenção, pode virar um grande problema para a empresa.

Assim, pelo lado social, é comum que a empresa firme parceria com a comunidade, seja contratando na localidade mão-de-obra para serviços menos especializados, seja transformando pequenos empreendimentos locais em fornecedores. Também é muito comum a realização de projetos voltados para crianças e adolescentes, seja de cunho esportivo, cultural ou educacional.

Agora pensemos: executar todos esses projetos custa dinheiro. Muito dinheiro. E é um dinheiro que terá de ser gasto enquanto a empresa estiver ali instalada. Mas e se um dia a empresa resolver tirar a fábrica daquele local? O que vai ser daquela comunidade? Além de colocar um sistema econômico local em colapso, a saída da fábrica também pode colocar um sistema social em colapso. Trágico? Não, apenas a realidade.

Lembremos a definição de desenvolvimento sustentável presente no Relatório de Brundtland: “a satisfação das necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”. Ou seja, comprometimento com o longo prazo. É isso que caracteriza um projeto social/ambiental sustentável.

E no caso da empresa que criou toda uma cadeia produtiva e de valor no entorno da sua fábrica? Como poderia garantir a continuidade dessa cadeia produtiva e de valor se a responsabilidade da empresa acaba com a saída da fábrica do local? Como deveria ser a condução dos projetos ao longo dos anos de forma que eles fossem sustentáveis e a descontinuidade da fábrica gerasse o mínimo de impacto para a comunidade?

Será que se ao invés de formar uma rede de fornecedores, não seria mais interessante (e sustentável) estimular o empreendedorismo, capacitando e auxiliando a comunidade na gestão de um negócio onde a fábrica fosse apenas mais um cliente? Será que ao invés de absorver a mão-de-obra não qualificada necessária, não seria mais sustentável qualificá-la para que pudesse ser utilizada não apenas na própria fábrica, mas também em outras empresas? Será que não é melhor adotar uma postura de coadjuvante no processo econômico do local do que a de protagonista, como sempre acaba sendo feito?

A construção e a operação de uma fábrica foi apenas um exemplo de como um projeto pode (e deve) ser sustentável. Na verdade, a grande pergunta que deve ser feita é qual o intuito de se gastar muito dinheiro nesses projetos se a empresa não oferece às comunidades do entorno a possibilidade de no futuro “caminhar com as próprias pernas”. Não seria mais inteligente, mais digno e até menos oneroso (porque a tendência seria a comunidade depender cada vez menos dos recursos da fábrica) se fosse feita uma abordagem mais sustentável?

Creio não ter respondido a pergunta-título deste texto. Pelo contrário, acho que lancei mais questionamentos ao invés de propor uma definição concreta. Mas esse era o intuito. As empresas têm suas próprias necessidades e cabe aos gestores das áreas sociais e ambientais procurarem um equilíbrio dentro do tripé da sustentabilidade de forma que a execução dos projetos seja satisfatória para a corporação e para as comunidades impactadas no longo prazo.

Retirado de:
http://www.administradores.com.br/artigos /o_que_faz_um_projeto_social_ambiental_ser_sustentavel/32906/
Autora: Julianna Antunes
Blog: www.sustentabilidadecorporativa.com

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Very sharp, sophisticated people, driven by sentiment..."



Quer entender a crise?


Segue um vídeo bem didático (terrivelmente engraçado) sobre o tema.


Toda crise decorre de uma sequência de atitudes e comportamentos não sustentáveis. Seja nas empresas, no governo, ou até mesmo na sua vida pessoal.

O que você acha?

Há espaço para ética no mercado financeiro?

Há espaço para consumo consciente na mentalidade do cidadão americano?

O que poderia ter evitado a crise atual?

O que pode evitar crises futuras??

Pense nisso!


*Não me surpreenderia nem um pouco se todas as repostas para as problemáticas acima integrassem a issue de sustentabilidade ;)

Um forte abraço!

MBT Team

domingo, 7 de junho de 2009

O evento da semana.

Na semana passada, 1º de junho, a AIESEC Florianópolis transmitiu na UFSC, o Encontro de Sustentabilidade com Peter Senge, promovido pelo Grupo Santander Brasil: Bancos Santander e Real (parceiro da AIESEC do Brasil), em São Paulo. O evento contou com a presença aproximada de 100 pessoas entre eles: membros e alumnus da AIESEC Florianópolis, Ação Jr, professores e alunos dos cursos de administração e economia da UFSC.

Peter Senge é uma das personalidades mais reconhecidas do mundo administrativo, e autor do livro “A Quinta Disciplina”, onde aborda sobre as organizações em aprendizado contínuo e o raciocínio sistêmico. Neste encontro, apresentou a sua preocupação sobre o esvaziamento da palavra sustentabilidade, que passou a ser utilizada em todo lugar, e trouxe para reflexão a busca por respostas para os seguintes questionamentos: ‘por que buscamos uma vida sustentável?’, ‘por que vemos tanta movimentação em torno deste tema?’, ‘o que viemos fazer neste encontro?’.

A partir desta perspectiva, apenas o receio, o medo, sobre o que acontecerá conosco e com o planeta não são mais argumentos suficientes para mudarmos. Peter apresenta números e gráficos sobre as mudanças climáticas, e mostra que os países não têm mais tempo para pensar, pois mesmo reduzindo as emissões de CO2, e outras causas que afetam o planeta, já estamos em atraso pra resolvermos tais impactos.

Além deste posicionamento, foi apresentado o vídeo, ‘the girl effect’, que relata a história de uma garota que morava em uma vila pobre, e que através do estudo, incentivos, e ações empreendedoras, ela impactou a comunidade ao seu redor.

Por fim, adaptando o assunto aos
ambientes corporativos, Peter Senge deixou a mensagem de que o papel das lideranças em todo este contexto é fundamental, visto que são estes profissionais os responsáveis em dar o exemplo, e propor ações de melhorias e de impacto para as organizações e a sua comunidade.


Segue o vídeo: 'o efeito garota'




Vii

(Este evento integra o ambiente de aprendizado do Projeto MBT (Moving Beyond Technology), que tem por objetivo introduzir o tema e algumas práticas relacionadas à sustentabilidade e responsabilidade social corporativa nas empresas e organizações de Florianópolis.)

terça-feira, 5 de maio de 2009

SUSTENTABILIDADE - Você pratica?


Hábitos de Consumo


Os hábitos de consumo em excesso podem ser denominados também de “consumismo”. É a expansão da cultura do “ter” em detrimento da cultura do “ser”. O consumo invade diversas esferas da vida social, econômica, cultural e política. Neste processo, os serviços públicos, as relações sociais, a natureza, o tempo e o próprio corpo humano se transformam em mercadorias.

Os indivíduos passam a ser reconhecidos, avaliados e julgados por aquilo que consomem, vestem ou calçam, pelo carro e pelo telefone celular que exibem em público.
A abundância dos bens de consumo, continuamente produzidos pelo sistema industrial, é considerada, freqüentemente, um símbolo do sucesso das economias capitalistas modernas. No entanto, esta abundância passou a receber uma conotação negativa, sendo objeto de críticas que consideram o consumismo um dos principais problemas das sociedades industriais modernas, ocasionando sérios desequilíbrios ecológicos.
Conseqüências dos Hábitos de Consumo.


A crise ambiental mostrou que não é possível a incorporação de todos no universo de consumo em função da grande maioria dos recursos naturais não serem renováveis. O ambiente natural está sofrendo uma exploração excessiva que ameaça a estabilidade dos seus sistemas de sustentação, causando:
• Exaustão de recursos naturais renováveis e não renováveis;
• Desfiguração do solo;
• Perda de florestas;
• Poluição da água e do ar;
• Perda de biodiversidade;
• Mudanças climáticas e etc.

Diante disso, a partir da percepção de que os atuais padrões de consumo estão nas raízes da crise ambiental, a crítica ao consumismo passou a ser vista como uma contribuição para a construção de uma sociedade mais sustentável.
Mas como o consumo faz parte do relacionamento entre as pessoas e promove a sua integração nos grupos sociais, a mudança nos seus padrões torna-se muito difícil. Por isso, este tema vem fazendo parte de programas de educação ambiental.
As causas do desequilíbrio ecológico estão diretamente ligadas ao aumento da produção industrial. Esse aumento de produção é ocasionado, principalmente, pelo aumento populacional e seu conseqüente aumento no consumo. E você? Como avalia suas atitudes em relação ao consumo? Pense nisso!

Faça um teste para saber se você é um consumidor responsável. Vá até o site do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) e realize o teste sobre seu consumo de energia elétrica.

domingo, 3 de maio de 2009

Conduta de Risco

PESSOAL, no embalo do learnig circle de quinta-feira, posto aqui um artigo do Paulo Nassar com uma reflexão bem legal sobre o filme.
A todos os que não puderam comparecer.... sugiro que loquem Conduta de Risco, preparem a pipoca e pensem: O que vocês fariam no lugar de Michael Clayton? de Arthur? Karen?

Uma ótima semana a todos!

Abraços,

MBT Project


OS FAXINEIROS DA IMAGEM
*Paulo Nassar



Chamo a atenção, hoje, para o filme Conduta de Risco (EUA, 2007), recheado de dilemas éticos e profissionais. [....]
Ocorre que muitas vezes as empresas e instituições entram em conflitos com a sociedade quando de algum modo agem de forma incompetente, ilegal ou ilegítima em relação à economia, ao meio ambiente ou a comunidade. E isto acaba se traduzindo em movimentação social, manchete, literatura, filme, onde as organizações são apresentadas como grandes vilãs. E nem sempre a reação da sociedade ou de grupos contra as empresas é puro maniqueísmo, a luta do bem contra o mal.
O roteirista e diretor do filme Tony Gilroy, quando fazia as pesquisas para escrever o roteiro de um outro trabalho seu, o Advogado do Diabo, esbarrou no caso de uma montadora de carros que preferiu pagar os seguros produzidos pelas mortes de seus consumidores a fazer o recall dos componentes que ocasionavam os acidentes. A informação inspirou Conduta de Risco.
Para os que têm tempo de ler, recomendo o clássico da literatura administrativa "Imagens da Organização", de Gareth Morgan, que relata outros exemplos de má conduta corporativa.
No filme de Gilroy, um advogado Michael Clayton, protagonizado por George Clooney, em meio aos seus problemas pessoais e profissionais, que não são pequenos, tem como missão encontrar e tratar de seu amigo e colega de trabalho Arthur Edens (Tom Wilkinson), que enlouqueceu coordenando a defesa da empresa agriquímica U/North, em um processo no qual esta enfrenta uma comunidade de produtores rurais contaminada por seus produtos. [...]
Temos registrado em nossa memória grandes casos de crises corporativas: o mega recall dos brinquedos fabricados na China, que terminou com o suicídio do diretor da unidade chinesa do grupo Mattel; o apagão aéreo brasileiro somado ao acidente aéreo da TAM, que derrubou autoridades e executivos do setor; os questionamentos na segurança pública provocados pela realidade confrontada pelo filme Tropa de Elite.
Com certeza, muitas questões foram esquecidas nesta lista apressada (que contempla apenas o ano de 2007), no entanto, ela e o filme servirão de motivo para refletirmos sobre a atuação e os dilemas éticos dos que trabalham nas empresas e instituições.

*Paulo Nassar é professor da Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Diretor-presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE). Autor de inúmeros livros, entre eles O que é Comunicação Empresarial, A Comunicação da Pequena Empresa, e Tudo é Comunicação.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A história das coisas

Com o apoio do professor da UFSC, Hans Michael, ao projeto MBT (Board of Advisor) segue sugestão de vídeo educativo.


terça-feira, 21 de abril de 2009

quinta-feira, 26 de março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009

A ética do jardim

Por Rubem Alves*

A filosofia das empresas passou por três fases. A primeira é representada pelo filme Tempos Modernos, de Chaplin - em que a única coisa que interessava às empresas era o lucro: nenhuma preocupação com a vida dos empregados, que eram tratados como engrenagens de uma máquina; nenhuma preocupação com o meio ambiente, que podia ser degradado impunemente. É a empresa "máquina".


A segunda fase está descrita no livro The Organization-Man, de Whyte Jr. - em que a empresa descobre a importância de que seus empregados se sintam bem dentro dela. Fazem-se todos os esforços no sentido de que eles tenham relações harmoniosas entre si e se identifiquem afetivamente com os interesses da empresa. A empresa deve ser o mundo do empregado e a imaginação do empregado deve estar restrita ao mundo da empresa. É a empresa "família", auto-suficiente e fechada em si mesma.

A terceira fase, que é a que estamos vivendo no momento, se caracteriza por uma revolução de valores. Se, na primeira e na segunda fases a empresa olhava para o mundo exterior apenas como "mercado", isto é, lugar do lucro, agora ela olha para o mundo exterior como um espaço de vida de que é preciso cuidar. Às relações comerciais agrega-se agora uma dimensão ética: o cuidado com o meio ambiente, a cultura, a educação, o bem-estar, não só dos empregados mas de toda a comunidade que a cerca.

A empresa se descobre como companheira, junto com outros homens, de um espaço comum que deve ser objeto de cuidado, pois o que está em jogo é a qualidade de vida. É a empresa "cuidadora" ou, se quiserem, numa linguagem poética, empresa "jardineira"... Gosto da imagem da jardinagem como metáfora para essa relação de cuidado com o meio ambiente e com as relações entre as pessoas. Isso quer dizer que, ao lado do motivo financeiro "lucro" as empresas estão trabalhando sob motivos éticos.

Penso que os empresários, como "regentes de orquestra", poderiam pensar um programa educativo para os seus "músicos" em três movimentos:

Primeiro movimento: "A empresa: lugar bom de se viver".

Segundo movimento: "A empresa: lugar bom de se pensar..."

Terceiro movimento: "A empresa: cuidadora do mundo"


*Rubem Alves é psicanalista, educador, teólogo e cronista da Folha de São Paulo

Acesse http://www.rubemalves.com.br/ para mais artigos do autor.