Mostrando postagens com marcador sustentabilidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sustentabilidade. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Carreira em Sustentabilidade

Já falamos da necessidade da Responsabilidade Social Corporativa, de como pequenos atos cotidianos podem mudar nossa qualidade de vida, da implantação dos nossos projetos na melhoria das organizações e do desenvolvimento baseado em issues que a AIESEC nos proporciona. Mas, afinal, como criar uma carreira em sustentabilidade?


Por Daniela Diniz
em http://ricardodugo.blogspot.com/

A curitibana Ana Paula Gumy, de 35 anos, foi convidada pelo CEO (chief executive officer, o mesmo que presidente executivo) do HSBC a assumir a área de responsabilidade social do banco depois de ter deixado a organização nove meses antes para se dedicar a projetos sociais na Fundação O Boticário. No mesmo ano, 2004, o administrador de empresas mineiro Marcelo Torres, de 33 anos, também mudou de cargo. De coordenador de segmentos do ABN Amro Real ele passou a consultor de desenvolvimento sustentável.


A história dos dois executivos aponta uma forte tendência no mercado: as empresas estão cada vez mais focadas em sustentabilidade e, para isso, precisam de gente que goste e entenda desse palavrão. 'Os recursos naturais estão no limite e os problemas estão chegando. As empresas começam a se preocupar seriamente com a perenidade do planeta e de seus negócios', diz Maria Raquel Marques, coordenadora do núcleo de sustentabilidade e responsabilidade social da Fundação Dom Cabral, em Belo Horizonte. 'Isso aumenta a demanda por profissionais capazes de perceber relações de causa e efeito o tempo todo.'
Encontrar gente com esse perfil é um dos grandes desafios das empresas hoje. E uma excelente oportunidade de carreira para os poucos que já dominam o tema. Quando Marcelo Torres deixou a área de segmentos do ABN para integrar a equipe de desenvolvimento sustentável, gastava 20 minutos explicando qual era sua nova função no banco. 'Hoje existe uma visão mais clara do que fazemos, mas ainda é uma minoria que realmente entende do assunto. Em geral, as pessoas acham que fazemos parte de um departamento verde', conta. Na prática, é bem mais do que isso, como define Carlos Nomoto, superintendente de educação e desenvolvimento sustentável do ABN: sustentabilidade é um modelo de negócios que atende às necessidades da geração presente sem comprometer a geração futura. 'Não é filantropia. É questão de sobrevivência considerar os aspectos ambientais e sociais nos negócios', afirma. Este é o trabalho de quem entra para o jogo sustentável das empresas: identificar oportunidades de ganho para o negócio levando em conta os aspectos sociais e ambientais.

O primeiro desafio de Marcelo como consultor de desenvolvimento sustentável, por exemplo, foi criar uma linha de crédito para as populações de baixa renda de São Paulo e de Pernambuco. O objetivo era, ao mesmo tempo, melhorar a situação de cada comunicade (o que faz parte do conceito de sustentabilidade) e impulsionar negócios para o banco. 'Queremos oferecer novas oportunidades para aquele grupo de pessoas, sim, mas sem assistencialismo, pois os resultados da empresa estão em jogo', diz Marcelo. Em outras palavras, a comunidade ganha com o banco e o banco ganha com a comunidade. Esse conceito faz parte do vocabulário do ABN desde o final de 2001, quando foi criada a diretoria de responsabilidade social. De lá para cá, o banco vem formando os profissionais que atuam no setor. 'O ideal era ter pessoas que conhecessem o negócio bancário e também tivessem experiência em projetos de sustentabilidade. Ou seja, algo quase impossível', diz Carlos Nomoto. Eles decidiram, então, contratar pessoas que fossem do ramo bancário e tivessem, pelo menos, afinidade com o tema. Hoje, o ABN conta com quase 80 profissionais afinados com o assunto. São 15 ligados diretamente ao desenvolvimento sustentável, 20 em ação social e 30 em educação.


Profissional Multidisciplinar

Para quem se animou com a informação, é importante saber que não se exige uma formação acadêmica específica para lidar com negócios sustentáveis. É possível encontrar administradores, psicólogos, advogados, jornalistas e biólogos atuando num mesmo departamento. Ana Paula, do HSBC, trabalhou no banco durante 16 anos. Formada em administração de empresas, ela passou pela área de câmbio, por marketing internacional, gerência de desenvolvimento de negócios e corporate banking. Em 2002, teve a chance de desenvolver projetos sociais, criando uma escola para jovens de rua. E apaixonou-se pelo assunto. Em março de 2004, pediu demissão e apostou num emprego na Fundação O Boticário, ganhando 60% menos. Nove meses depois, porém, o HSBC fisgou-a de volta, para comandar sua área de responsabilidade social. 'Todos os nossos gerentes têm alinhamento com o mercado, mas pouca noção de responsabilidade social', diz Ana Paula. Vale lembrar que esse é um dos conceitos que fazem parte da sustentabilidade. 'Sustentabilidade é o fim e responsabilidade social é o como', diz Maria Raquel, professora da Fundação Dom Cabral.

Do ano passado para cá, o banco contratou mais seis pessoas para a área de Ana Paula. Hoje, são oito funcionários e 13 estagiários. A idéia é disseminar o conceito de sustentabilidade em todos os níveis, até que não seja mais necessário ter um departamento próprio. 'Esses profissionais precisam ter visão de negócios, uma forte formação humanística, boa conexão com a natureza, flexibilidade e criatividade para enxergar oportunidades dentro do conceito sustentável', diz Maria Raquel. Também é fundamental promover diálogos e alianças com as equipes, ser empreendedor e comunicativo. É o profissional que conhece um pouco de tudo, como diz Fernando Almeida, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). 'Ele não é um especialista por natureza. É alguém que se envolve com várias áreas', afirma. Segundo Maria Beatriz Henning, diretora da Fesa, especializada em seleção de executivos, há cinco anos esse profissional só era visto nas ONGs. 'Hoje, a tendência é trazer o conceito para dentro da organização. O mercado se profissionaliza e, conseqüentemente, busca gente especializada.'


Com a bola cheia

Para quem acha que isso não passa de mais um modismo, a resposta dos especialistas é clara. Apesar de ainda haver uma confusão de conceitos sobre responsabilidade corporativa, há um movimento crescente nas empresas em formar equipes especializadas. 'Não há outra saída', diz Fernando Almeida, do CEBDS. 'Sustentabilidade é sinônimo de sobrevivência. A empresa que operar de forma irresponsável será excluída pelo mercado.' Um exemplo recente é o da Caixa Econômica Federal (CEF). Ao quebrar ilegalmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que testemunhou contra o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho, a CEF esbarrou em princípios éticos, arranhou sua imagem e já sente o baque em seus negócios.

Por temer situações como essa, as organizações buscam ganhar dinheiro fazendo a coisa correta. Algumas por convicção, outras por conveniência. 'Há empresas que sentem mais de perto os efeitos da natureza em seus negócios e se apressaram em aplicar a sustentabilidade', diz Luca Borroni-Biancastelli, coordenador-geral do programa corporativo do Ibmec São Paulo. 'É o caso da Petrobras, Vale do Rio Doce e Natura, que investem expressivamente nessa área.' Independentemente do motivo, o fato é que o profissional 'sustentável' valoriza cada vez mais seu passe nas organizações. 'Quem souber lidar com os valores associados à sustentabilidade terá um enorme diferencial na carreira, com mais chances de crescimento', diz Beatriz Pacheco, consultora de responsabilidade social e sustentabilidade, em São Paulo. É o caso da paulista Denise Gibran Nogueira, de 28 anos, especialista em microcrédito do Itaú, que foi 'caçada' pelo banco em novembro de 2004. Formada em administração de empresas, Denise sempre se interessou por responsabilidade social. Ao terminar a faculdade, foi para a Índia fazer um estágio de seis meses num banco cooperativo só para mulheres. Ao voltar, trabalhou como consultora no Sebrae. Foi para o Itaú ganhando cerca de 15% mais e ainda tem subsídio para educação: o banco paga uma parte significativa da sua pós-graduação em gestão de sustentabilidade, na Fundação Getulio Vargas.

Denise era o perfil certo para o banco, que, desde 1993, com a construção do Itaú Social, vem desenvolvendo o conceito de sustentabilidade. 'Nos últimos três anos, temos contratado e treinado muitos profissionais. E continuamos à caça de gente que possa contribuir nessa área', diz Antonio Matias, vice-presidente do Itaú. Ele explica que os bancos saíram na frente nesse conceito porque estão antenados com a agenda mundial. 'Somos um setor que sempre pensa a longo prazo', diz o VP. 'Levar em consideração a perenidade dos negócios era natural.'


Prepare-se!
Por ser difícil encontrar gente preparada para essas funções -- até porque ainda são escassos os cursos voltados para sustentabilidade no país -- as próprias organizações estão preocupadas em formar esse profissional. O ABN, por exemplo, incorporou os princípios de sustentabilidade aos treinamentos já existentes e ainda oferece três cursos sobre o tema.

Se sua empresa ainda não acordou para o assunto, a dica é ir atrás desse conhecimento. 'Procure informações e participe de projetos na área, mesmo que seja como voluntário', diz Denise, do Itaú. Ela, Ana Paula e Marcelo tornaram-se profissionais diferenciados porque souberam explicar o que era sustentabilidade e aplicar a teoria na prática. Por livre e espontânea vontade. 'Não tenho dúvida de que hoje sou um profissional melhor', diz Marcelo. 'O mundo exige essa visão multidisciplinar e o mercado está só começando a valorizar isso.'


Da teoria para a prática

Conheça as funções do profissional sustentável nas empresas:
· Envolver todas as partes relacionadas ao negócio - acionistas, fornecedores e clientes -, fazendo com que todos conheçam os princípios das sustentabilidade e sigam esse conceito.
· Identificar oportunidades de negócios avaliando os impactos socioambientais.
· Estar pronto para explicar, ensinar e dar consultoria sobre o tema para os funcionários da própria empresa, clientes e fornecedores.


Saiba como desenvolver um trabalho sustentável:

· O primeiro passo é entender o que é sustentabilidade. Para isso, existem sites, livros e agora alguns cursos voltados para o tema.
· Em seguida, tente colocar em prática os conceitos no dia-a-dia. Analise os impactos socioambientais do seu trabalho.
· Preste atenção em todos os departamentos envolvidos no seu trabalho. Conhecer toda a cadeia do negócio é fundamental para atuar na área de sustentabilidade.
· Procure conhecer pessoas que já praticam a sustentabilidade no dia-a-dia. Além de aumentar seu network, você adquire conhecimento.

A partir daí, você está pronto para dar sugestões na sua empresa e fazer valer o seu diferencial!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

"Very sharp, sophisticated people, driven by sentiment..."



Quer entender a crise?


Segue um vídeo bem didático (terrivelmente engraçado) sobre o tema.


Toda crise decorre de uma sequência de atitudes e comportamentos não sustentáveis. Seja nas empresas, no governo, ou até mesmo na sua vida pessoal.

O que você acha?

Há espaço para ética no mercado financeiro?

Há espaço para consumo consciente na mentalidade do cidadão americano?

O que poderia ter evitado a crise atual?

O que pode evitar crises futuras??

Pense nisso!


*Não me surpreenderia nem um pouco se todas as repostas para as problemáticas acima integrassem a issue de sustentabilidade ;)

Um forte abraço!

MBT Team

domingo, 7 de junho de 2009

O evento da semana.

Na semana passada, 1º de junho, a AIESEC Florianópolis transmitiu na UFSC, o Encontro de Sustentabilidade com Peter Senge, promovido pelo Grupo Santander Brasil: Bancos Santander e Real (parceiro da AIESEC do Brasil), em São Paulo. O evento contou com a presença aproximada de 100 pessoas entre eles: membros e alumnus da AIESEC Florianópolis, Ação Jr, professores e alunos dos cursos de administração e economia da UFSC.

Peter Senge é uma das personalidades mais reconhecidas do mundo administrativo, e autor do livro “A Quinta Disciplina”, onde aborda sobre as organizações em aprendizado contínuo e o raciocínio sistêmico. Neste encontro, apresentou a sua preocupação sobre o esvaziamento da palavra sustentabilidade, que passou a ser utilizada em todo lugar, e trouxe para reflexão a busca por respostas para os seguintes questionamentos: ‘por que buscamos uma vida sustentável?’, ‘por que vemos tanta movimentação em torno deste tema?’, ‘o que viemos fazer neste encontro?’.

A partir desta perspectiva, apenas o receio, o medo, sobre o que acontecerá conosco e com o planeta não são mais argumentos suficientes para mudarmos. Peter apresenta números e gráficos sobre as mudanças climáticas, e mostra que os países não têm mais tempo para pensar, pois mesmo reduzindo as emissões de CO2, e outras causas que afetam o planeta, já estamos em atraso pra resolvermos tais impactos.

Além deste posicionamento, foi apresentado o vídeo, ‘the girl effect’, que relata a história de uma garota que morava em uma vila pobre, e que através do estudo, incentivos, e ações empreendedoras, ela impactou a comunidade ao seu redor.

Por fim, adaptando o assunto aos
ambientes corporativos, Peter Senge deixou a mensagem de que o papel das lideranças em todo este contexto é fundamental, visto que são estes profissionais os responsáveis em dar o exemplo, e propor ações de melhorias e de impacto para as organizações e a sua comunidade.


Segue o vídeo: 'o efeito garota'




Vii

(Este evento integra o ambiente de aprendizado do Projeto MBT (Moving Beyond Technology), que tem por objetivo introduzir o tema e algumas práticas relacionadas à sustentabilidade e responsabilidade social corporativa nas empresas e organizações de Florianópolis.)

terça-feira, 5 de maio de 2009

SUSTENTABILIDADE - Você pratica?


Hábitos de Consumo


Os hábitos de consumo em excesso podem ser denominados também de “consumismo”. É a expansão da cultura do “ter” em detrimento da cultura do “ser”. O consumo invade diversas esferas da vida social, econômica, cultural e política. Neste processo, os serviços públicos, as relações sociais, a natureza, o tempo e o próprio corpo humano se transformam em mercadorias.

Os indivíduos passam a ser reconhecidos, avaliados e julgados por aquilo que consomem, vestem ou calçam, pelo carro e pelo telefone celular que exibem em público.
A abundância dos bens de consumo, continuamente produzidos pelo sistema industrial, é considerada, freqüentemente, um símbolo do sucesso das economias capitalistas modernas. No entanto, esta abundância passou a receber uma conotação negativa, sendo objeto de críticas que consideram o consumismo um dos principais problemas das sociedades industriais modernas, ocasionando sérios desequilíbrios ecológicos.
Conseqüências dos Hábitos de Consumo.


A crise ambiental mostrou que não é possível a incorporação de todos no universo de consumo em função da grande maioria dos recursos naturais não serem renováveis. O ambiente natural está sofrendo uma exploração excessiva que ameaça a estabilidade dos seus sistemas de sustentação, causando:
• Exaustão de recursos naturais renováveis e não renováveis;
• Desfiguração do solo;
• Perda de florestas;
• Poluição da água e do ar;
• Perda de biodiversidade;
• Mudanças climáticas e etc.

Diante disso, a partir da percepção de que os atuais padrões de consumo estão nas raízes da crise ambiental, a crítica ao consumismo passou a ser vista como uma contribuição para a construção de uma sociedade mais sustentável.
Mas como o consumo faz parte do relacionamento entre as pessoas e promove a sua integração nos grupos sociais, a mudança nos seus padrões torna-se muito difícil. Por isso, este tema vem fazendo parte de programas de educação ambiental.
As causas do desequilíbrio ecológico estão diretamente ligadas ao aumento da produção industrial. Esse aumento de produção é ocasionado, principalmente, pelo aumento populacional e seu conseqüente aumento no consumo. E você? Como avalia suas atitudes em relação ao consumo? Pense nisso!

Faça um teste para saber se você é um consumidor responsável. Vá até o site do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) e realize o teste sobre seu consumo de energia elétrica.

terça-feira, 21 de abril de 2009